top of page
  • Foto do escritorDr. João De Sousa

"Operação Tutti Frutti: a Toupeira que a Polícia Judiciária (des)conhece"

Atualizado: 17 de fev.


Fontes de imagem: Diário de Notícias, TVI, Observador

 

Dr. João de Sousa. Consultor Forense

Na composição de imagens anterior que ilustra o título deste texto, estão representados o Coordenador Superior de Investigação Criminal da Polícia Judiciária, Dr. Pedro Fonseca, Director da Unidade Nacional de Combate à Corrupção; o profissional de televisão portuguesa Henrique Machado; o Deputado da República portuguesa, Dr. Carlos Eduardo Reis; uma pequena toupeira com óculos e uma fotografia de uma conversa, mantida via WhatsApp, entre o profissional de televisão portuguesa Henrique Machado e a mulher do autor destas palavras escritas.


"O Jornalismo era o Quarto Poder, agora dorme no quarto com o Poder."

Esta frase, ouvi-a esta semana que passou da boca de Luís Castro, jornalista da RTP, aquando da sua participação no programa da rádio "Observador", "Contra-corrente" (falava sobre o "Caso Maddie McCann", referindo-se à promiscuidade e forte dependência do Jornalismo em relação ao  Poder, seja ele o poder institucional, seja o poder das massas (audiências) e/ou dos dinheiros da publicidade).


Eu acredito que devemos combater ferozmente a insinuação, a especulação, as hipérboles e os despropósitos. Paladinos dos factos, é assim que nós, cidadãos comuns, devemos ser.

É obrigação maior do Jornalista sê-lo, menos que isso é nada!

O Jornalista (a sério) até pode ter opinião pessoal, mas tudo deve fazer para expor a opiniões informadas diferentes da sua, os cidadãos que o ouvem ou leem.


Não pode o Jornalista esquecer que em Democracia não existe nada mais importante do que um cidadão bem informado e que a desinformação, o alarmismo e o sensacionalismo tornam, inevitavelmente, o cidadão mais desconfiado, mais receoso, logo mais hostil.


Ser líder de audiências, porque a indústria onde trabalha o Jornalista alcançou esse estatuto por desviar a atenção dos seus concidadãos, é falhar ética, moral e deontologicamente.


Os Jornalistas ou os canais de informação que apresentam uma dedicação inabalável à Informação e sua idoneidade, são uma minoria e, tristemente, quando a máquina do sensacionalismo, quando o "jornalismo de sarjeta " aparece - os donos do bordel - invariavelmente perde o Jornalismo, perde a Democracia, perdendo o país e o cidadão.


Luís Castro, Jornalista, afirmou no programa "Contra-corrente" da rádio "Observador" que actualmente evita-se contactar as fontes, exercer o contraditório, o famoso "double check" (confirmar duas vezes) porque pode contrariar o que o Jornalista tem e por vezes o que tem é falso, mas dá audiências!

Profissional da televisão Henrique Machado (Fonte: TVI)

Reparem agora neste exemplo.

Afirma o profissional de televisão Henrique Machado, relativamente à polémica em torno da "Operação Tutti Frutti" da Polícia Judiciária (Unidade Nacional de Combate à Corrupção):


"(...) O nosso trabalho é fiel ao processo a que nós tivemos acesso, este senhor [o deputado da Assembleia da República, Dr. Carlos Eduardo Reis] se tem um problema é com o Ministério Público (...) Não nos pode acusar a nós de descontextualizar uma coisa que está ipsis verbis assim e são estas as imputações graves que a justiça lhe fez."


Veja aqui:


Dito desta forma, parece que o profissional de televisão Henrique Machado é empregado de mesa e serve os pratos da forma como o chefe de cozinha previamente desenhou o empratamento.

Será que o profissional de televisão Henrique Machado considera que a Inteligência Artificial deve substituir os Jornalistas a sério e que o Jornalismo é "scanear" papéis sem realizar investigação, aceitando acriticamente, de forma acéfala, servindo os propósitos de quem liberta a informação?

Será que o espectáculo de luz e cor que este profissional da televisão protagoniza é encenado por alguma Toupeira com dioptrias?


Com todo o respeito e consideração intelectual, faço minhas as palavras do Dr. Eduardo Marçal Grilo: "(...) Estou farto de ver incompetentes a exercer cargos para os quais não têm qualquer qualificação. (...) Confesso igualmente que estou cansado das notícias sensacionais que duram menos de 24 horas, porque foram forjadas com objectivos inconfessáveis." (artigo de opinião, jornal "Público", 25 de Maio de 2023)


Permitam-me agora partilhar um facto que não é notícia: o Ministério Público recorreu da decisão - absolvição -  do colectivo de juizes que julgou o profissional de televisão Henrique Machado.

Excerto do Recurso do M.P. (Processo n.º 2237/18.7 T9LSB)

Esta notícia não existiu, mas eu gosto de apresentar a informação num contexto mais amplo, porque sabemos perfeitamente que as notícias nascem no momento em que a informação chega aos Jornalistas, aos Directores de Informação, aos Directores da estação televisiva, ao Director do jornal: e esta nem chegou à fase de gestação, era notícia não desejada, desapareceu com a pílula do dia seguinte!


Excerto do Recurso do M.P. (Processo n.º 2237/18.7 T9LSB)

Mas qual foi a razão pela qual o Ministério Público recorreu?

Recorreu porque tudo isto é tão pornograficamente evidente que não poderia fazer diferente.

Excerto do Recurso do M.P. (Processo n.º 2237/18.7 T9LSB)

E quem é que de repente aparece, saído da sombra, encadeado pela luz da superfície, arrancado da sua rotina fossorial ... o Director da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, Dr. Pedro Fonseca!


Excerto do Recurso do M.P. (Processo n.º 2237/18.7 T9LSB)

O mesmo Pedro Fonseca que o Magistrado do Ministério Público, Dr. Luís Gil Caldeira, brilhantemente referenciou não referenciando, entendendo-se perfeitamente que faltava a Toupeira que facultou as informações ao profissional de televisão Henrique Machado! Oiçam a seguir (avancem até 02:52):

Estão a perceber?


Como aqui quem decide o que "vai para o ar" somos nós, como aquilo que aqui apresento é baseado em factos e não é crime a divulgação de factos históricos, sustentados por fonte documental e obtidos pela actividade da investigação, vamos escrutinar o Director da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, Dr. Pedro Fonseca, que segundo as suas palavras, no discurso de tomada de posse, "caminhará ao lado de uma cultura de escrutínio."


 

Local: Tribunal do Seixal. Data: 9 de Março de 2016. Evento: Julgamento do Inspector da Polícia Judiciária João De Sousa, Processo 2210/12.9 TASTB


Certidão do pedido de gravação do depoimento de Pedro Fonseca (13 Março 2016)





Contexto: o então Coordenador da P.J., Dr. Pedro Fonseca, testemunha em Tribunal arrolado pela Acusação.

Pedro Fonseca mente em Tribunal, negando a relação que mantinha com João De Sousa, arguido preso, negando igualmente ter recebido dinheiro por aulas que deu numa pós-graduação coordenada por João de Sousa.










Nesta gravação vamos ouvir o Pedro Fonseca a afirmar que não recebeu dinheiro pelas aulas, o que contraria o que na realidade se passou.

(ouvir 00:15; 00:55; 01:16 a 01:25)

O documento que Pedro Fonseca, o actual Director Nacional da Unidade de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, apresentou à direcção da altura, solicitando autorização para dar aulas na Pós-graduação de Enfermagem Forense coordenada pelo Inspector João De Sousa, não referindo a remuneração que iria receber e recebeu de facto, alegando que seria como tinha sido até ao momento: uma "colaboração graciosa".




Após este triste episódio, a minha defesa arrolou a única testemunha de defesa/abonatória que eu indiquei e somente após esta vergonhosa prestação do agora Director Nacional da Unidade de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, Dr. Pedro Fonseca.

Arrolámos o director da Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias, Dr. João Paulo Batalim Nunes, que confirmou que o Dr. Pedro Fonseca recebeu dinheiro pelas aulas que sob a minha coordenação leccionou!


Não acreditam? Julgam que eu sou como o profissional de televisão Henrique Machado? Insinuo e não provo, socorro-me do sensacionalismo e da hipérbole? Estou a especular?


Eis a prova (chamo a Vossa atenção para a forma desesperada como a Juiz presidente do Colectivo não permite que a testemunha, Dr. João Paulo Batalim Nunes, confirme que o Dr. Pedro Fonseca mentiu, o que permitiria à minha defesa demonstrar que o mesmo não foi uma testemunha idónea):

(atenção a 01:25 até 01:40 e 02:05 a 02:12)


Resumindo e tristemente concluindo.

Todos nós, enquanto sociedade, regime democrático, precisamos de bons Jornalistas, não precisamos de profissionais de televisão assalariados das fontes, dependentes do que chega à sua secretária ou telefone através daqueles que têm uma agenda pessoal ou institucional.


O que dizer deste autêntico poltrão, deste indivíduo melífluo que com as palavras faz malabarismos medíocres, qual burlão num espectáculo de sombras, e mente, foge, acoita-se, refugia-se em tocas e galerias no subsolo, tudo isto perante a passividade de um colectivo de Juízes e/ou com o compadrio do Director Nacional da P.J., Dr. Luís Neves, que perante toda esta vergonha que foi o caso dos dois jornalistas (um deles profissional da TV), promove o poltranaz Pedro Fonseca a Director da Unidade de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária?


Infelizmente, pelo livre-pensamento, assim como pela opinião livre, pagamos sempre um elevado preço.

Eu sou suspeito de dar tiros em banheiras e amanhã continua o meu julgamento em Vila Franca de Xira (arrasta-se há 3 anos).

Eu sou alvo de cancelamento na comunicação social, conquanto faculte informação e provas, mas a resposta que obtenho por parte de artistas profissionais de televisão, como Henrique Machado, é aquela que podem ver na fotografia (prova!) que ilustra o título deste, já longo, texto:


"Olá.. Sabe que nós temos e precisamos de boas relações na PJ, como o João sabe e perceberá. Vivemos disto."


Henrique Machado não noticia um facto gravíssimo porque necessita de ter boas relações com quem prevaricou e, mais tarde, encontramos esse alguém - o actual Director da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, Dr. Pedro Fonseca - envolvidos em trocas de informação sobre processos-crime.

Mais, presentemente temos o profissional de televisão Henrique Machado a verter informação para as massas, direcionando as responsabilidades para o Ministério Público, quando existem preditores que permitem apontar para o subsolo da Polícia Judiciária as raízes da fuga de informação!"


(vejam as conversas que resultaram das escutas telefónicas ao actual Director da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, Dr. Pedro Fonseca: https://www.eppur-si.com/post/o-jornalismo-o-jornalista-o-ministério-público-e-o-pedro-fonseca-da-p-j-escrutínio-saudável )


Eu sei disto tudo e por sabê-lo é que vou continuar a lutar para denunciar e expor todos aqueles que não dignificam a nobre profissão que exercem, mesmo que isso resulte em "adversa comunicação social" ou em cancelamento total.

Eu também sei que por aí existe quem deseje fazer bem o seu trabalho, com idoneidade, e acho que as pessoas que mentem ao povo português para denegrir a reputação de alguém ou pagar favores a terceiros pela informação prestada,  deveriam ser obrigados por lei a andarem com um sinal individualizante para o resto da sua vida: Cuidado, manter a distância de segurança!

4.401 visualizações12 comentários

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page